Igor Suga

Igor Saburo Suga é formado em Química Ambiental pela Universidade de São Paulo - IQUSP. Atua como professor de química do ensino médio e pré-vestibular desde 2008. Tem interesse por ciência e divulgação científica entre outras coisas. Seu Maior Talento: Aprendiz Este Talento adora aprender. Quase todos os assuntos o interessam. O que mais lhe agrada neste processo é conhecer o novo em profundidade. É emocionante cada descoberta feita não importa o resultado final nem o que vai fazer com ele. Sua energização vai crescendo na medida em que trilha o caminho que o conduz da ignorância à competência. Sua curiosidade o leva a engajar-se nos mais variados tipos de aprendizados que para outros não fazem o menor sentido. Da arte ao técnico tudo o fascina. Esta postura de aprendiz coloca leveza na sua vida porque tira a exigência da perfeição para quem está em processo. Necessariamente ele não precisa se tornar um profissional no assunto nem tão pouco é a titularidade que o motiva. É esta excitação que torna mais significante o próprio processo do aprendizado que lhe faz dedicar-se até chegar na reta final cheio de prazer. Como se comunica Pode-se dizer que sociabilidade é a marca mais forte do perfil de Igor Saburo. Sua habilidade para se comunicar com todos os tipos de pessoas é plenamente reconhecida em qualquer ambiente em que esteja. Igor Saburo Suga consegue criar uma atmosfera tão agradável a seu redor, que as pessoas têm prazer em se aproximar dele. Entusiasmo não lhe falta para realçar seu poder de persuasão e transmite confiança quando declara alguma coisa. Como Igor Saburo Suga não gosta de criar conflito ou assumir uma atitude de confrontação em situações mais tensas, é possível que exagere um pouco na sua extroversão, enfatizando os aspectos de interação pessoal e deixando de lado considerações mais objetivas.

Radioatividade

Radioatividade

A Descoberta da Radioatividade

Nossa estória começa em 1896 com observações feitas por Becquerel[1], quando este procurava conexões – inexistentes – entre os Raios X, descobertos apenas um ano antes por Röntgen[2], e a fosforescência, um fenômeno que certas substâncias possuem em liberar luz visível por um período curto de tempo após serem expostas por algumas formas de radiação, como a luz ultravioleta.

Becquerel sugeriu de maneira incorreta a hipótese de que a geração de Raios X estaria conectada de alguma maneira com a fosforescência, onde estas substâncias fosforescentes emitiriam os Raios X, bom como luz na região do visível.

Para testar sua hipótese, Becquerel conduziu uma série de experimentos, baseados na observação de cristais de compostos de urânio (92U), que fosforesciam após serem expostos à luz solar (foto fosforescência). Seus experimentos consistiam em colocar cristais desse elemento sobre uma chapa fotográfica bem encapada por papel preto, deixando-os, em seguida, expostos à luz do sol para que o componente ultravioleta dessa luz induzisse a fosforescência. Se o material fosforescente também emitisse Raios X, pensou ele, esses raios poderiam penetrar no papel preto e sensibilizariam a chapa fotográfica.

Quando Becquerel revelou tais chapas, percebeu que havia uma mancha correspondente à posição exata daquela onde estava o cristal do composto de urânio. Como ele já havia colocado outra chapa ao sol na ausência deste cristal, a fim de compará-las, e notado que não tinha ocorrido sensibilização da mesma, concluiu – corretamente – que os cristais de urânio eram os responsáveis por marcar a chapa fotográfica e – incorretamente – que estes cristais haviam emitidos Raios X após fosforescerem sob ação da luz solar.

A verdadeira fonte da imagem fotográfica somente foi revelada quando um período nublado forçou Becquerel a suspender seus experimentos ao ar livre. Sem a luz do sol para induzir a fosforescência das amostras de urânio, ele as guardou numa gaveta em seu escritório, próxima de uma chapa fotográfica bem encapada com papel preto. Alguns dias depois, ao fazer revelações de outras chapas utilizadas em sua pesquisa, Becquerel também revelou aquela que estava guardada em sua gaveta, a qual  ele espera permanecer intacta. Para sua surpresa, esta chapa havia uma distinta mancha que indicava alta exposição. Algo havia penetrado o papel preto e causado uma forte imagem, mesmo sem ter a chapa sido exposta à fosforescência, a Raios X ou qualquer outra forma de radiação. Após uma série de experimentos adicionais, Becquerel logo descobriu que a misteriosa radiação foi originada pelo próprio elemento urânio sem nenhuma conexão com a luz ultravioleta, Raios X ou fosforescência.

Cerca de dois anos depois das descobertas originais, Marie Sklodowska Curie[3], uma estudante de Becquerel, ingressou nos estudos dessa estranha forma de radiação. Além de ter dado o nome de RADIOATIVIDADE, Marie Curie (ou Madame Curie, como era conhecida) descreveu muitas de suas propriedades, mostrou que esta poderia ser emitida por outros elementos químicos além do urânio e também que sua origem estava ligada a mudanças que ocorriam com os próprios átomos, ou seja, a radioatividade era uma propriedade intrínseca dos átomos de alguns elementos.

Leia mais sobre Madame Curie

Em 1903, Marie Curie, nativa da Polônia, se tornou a primeira mulher a receber um prêmio Nobel, sendo este na área de física pela descoberta da radioatividade e dividido entre seu marido, Pierre, e seu professor, Becquerel.

                Oito anos mais tarde, em 1911, madame Curie fez história novamente, dessa vez a se tornar a primeira pessoa a ganhar um prêmio Nobel pela segunda vez, agora na área de química, pela descoberta dos elementos rádio (88Ra) e polônio (84Po) – em homenagem à Polônia, pátria de Madame Curie.

Radioatividade e Decaimento Radioativo

Três anos após as descobertas da radioatividade, em 1899, Ernest Rutherford demonstrou que os raios emitidos por elementos radioativos, consistiam em mais de uma forma de radiação. Ele identificou dois tipos que foram diferenciados por ele através do alfabeto grego.

  1. Radiação Alfa – Partículas Alfa (2α4): formada por fluxos de alta energia de núcleos de hélio (2He4) – combinação de dois prótons e dois nêutrons – dados pelo decaimento radioativo, sendo que estes viajam a velocidades entre 5% a 7% da velocidade da luz.

Quando ocorre a emissão de partículas alfa por átomos radioativos, temos uma mudança no número atômico e número de massa do elemento. Como cada elemento químico é caracterizado por seu número atômico, o decaimento pode levar a transformação de átomos de um elemento em átomos de outro elemento diferente. As partículas alfa penetram superficialmente a matéria, sendo bloqueadas facilmente por uma folha de papel ou mesmo na superfície da pele humana.

  1. Radiação Beta – Partículas Beta (-1β0): fluxos de elétrons de alta energia viajando a velocidades acima de 90% da velocidade da luz. As partículas beta carregam carga -1 e virtualmente nenhuma massa. Para a radiação beta – e as partículas que a formam – podemos ter a seguinte notação: -1e0, -1β0, β-1 ou simplesmente β. A emissão de partículas beta (decaimento beta) também leva a uma variação do número atômico do átomo do elemento radioativo (aumento do número atômico), mas não do número de massa.

Estas partículas possuem um maior poder de penetração quando comparada às partículas alfa. São bloqueadas por roupas grossas ou paredes de certas espessuras. Em relação a sistemas biológicos, atravessam facilmente a pele, chegando até os músculos.

Um terceiro componente da radiação, raios gama (γ), foram descobertas por Villard.

  1. Radiação Gama (0γ0): assim como a lus visível, ondes de rádio e televisão e Raios X, os raios gama são uma forma de onda eletromagnética que viajam com alta energia e na velocidade da luz. Não possuem massa nem carga. Penetram profundamente a matéria e são barradas por paredes grossas de concreto e também camadas de certa espessura de chumbo. Causam danos biológicos considerados pois atravessam a pele e a musculatura, chegando até os órgãos internos. A radiação gama pode ser utilizada industrialmente para detectar falhas ou rupturas em partes metálicas ou estruturas, assim como os Raios X são utilizados para diagnosticar fraturas em ossos e cavidades dentárias.

Decaimento Radioativo – Exemplos de Ocorrências Naturais

Trítio[4] é o radioisótopo mais simples de todos e pode sofrer decaimento por e missão de partículas β formando 2He3, um isótopo estável do hélio:

1H3 2He3 + -1 β0

                Quando um núcleo de trítio perde um elétron, um nêutron do é transformado em um próton. Sua massa permanece inalterada, mas seu número atômico aumente em uma unidade se transmutando no elemento hélio.

O decaimento do carbono-14 também ocorre pela perda de partículas beta:

6C14 7N14 + -1 β0

onde temos a transformação de um átomo radioativo de carbono no isótopo mais comum de nitrogênio. O decaimento de carbono-14 é útil na determinação de artefatos antigos.

O carbono-14 é continuamente formado pela ação da radiação cósmica na atmosfera terrestre. Essa radiação gera nêutrons (0n1) que reagem com o nitrogênio atômico existentes na atmosfera e assim produzem o carbono-14:

0n1 + 7N146C14 + 1H1

            Essa nova forma de carbono pode se combinar com o oxigênio atmosférico gerando 14CO2 que em seguida migra para regiões mais próximas da superfície terrestre e assim pode ser incorporado pelas plantas fotossintetizantes no processo da fotossíntese. Desta forma, o C-14 se torna parte dos nossos corpos através da cadeia alimentar.

Urânio representa o elemento radioativo de maiores números de massa e atômico, sendo U-238 o mais abundante encontrado na natureza (99%), em sua maior parte no minério conhecido como pechblenda. O U-238 pode decair gerando tório (90Th234) pela perda de uma partícula alfa e emissão de radiação gama (uma sequencia particular). Como a emissão de radiação gama não alteram o número de massa e atômico, geralmente é omitido na equação:

92U238 90Th234 + 2α4

 

Tempo ou Período de Meia-Vida (t1/2 ou p)

O tempo de meia-vida de um isótopo radioativo representa o tempo necessário para que exatamente metade de qualquer quantidade deste isótopo decaia. Cada isótopo possui um tempo específico de meia-vida, por exemplo, o iodo- 131 leva apenas oito dias para decair à metade. Isso significa dizer que se tivermos uma massa inicial de 50 g, passado oito dias, teremos 25 g restantes; mais oito dias e restarão 12,5 g e assim por diante.

Bibliografia

Snyder, Carl H. – The Extraordinary chemistry of ordinary thing, 3th Edition – Wiley

Brown,T.L. et. al. – Chemistry: The Central Science, 10th Edition – Pearson

Kotz, et. al. – Chemistry and Chemical Reactivity, 6th Edition – Thomson


[1] Antoine Henri Becquerel (1852 – 1908), físico francês, professor da École Polytechnic – França;

[2] Wilhelm Conrad Röntgen (1845 – 1923), professor da Universidade de Munique – Alemanha, Prêmio Nobel em Física, 1901;

[3] Marie Sklodowska Curie (1867-1934), professora de física geral na Faculdade de Ciências, Sorbonne – Paris.

[4] Trítio é um dos components chaves da bomba de hidrogênio; a combinação de trítio com deutério (outro isótopo do elemento hidrogênio) em altas temperaturas provê uma força explosiva de uma das formas da bomba de hidrogênio.

, , , , , , , ,

Deixe um comentário

DIOXINA

Alemanha sacrificará centenas de porcos contaminados com dioxina

Folha de São Paulo – 11/01/2011

Germans Fear Dioxin Has Contaminated Small Farms

The New York Times – 01/01/2011

Sales from 4,700 German farms halted over dioxins

No immediate reports of health problems, German officials say

CBC Canada – 01/01/2011

German dioxin scare spreads to meat

Germany’s poisoned eggs scare has spread to chickens, with investigators now reporting increased levels of cancer-causing dioxin in meat.

The Telegraph – 09/01/2011

Semana passada tivemos notícias sobre contaminação de crianças chinesas por chumbo.

Esta semana os veículos de comunicação trouxeram mais um caso de contaminação. Agora por dioxina. Segue abaixo um pouco sobre essa classe de poluentes.

Dioxinas

As dioxinas, denominação genérica de compostos orgânicos aromáticos policlorados, pertencem a uma classe de poluentes orgânicos, com potencial de bioacumulação além de sua alta toxicidade e propriedades carcinogênicas.

São também conhecidos como dibenzo –p­ – dioxinas (PCDD), possuindo 75 congêneres, ou seja, segundo a US EPA – “compostos que pertencem a mesma classe de substâncias” – sendo a 2,3,7,8 – tetraclorodibenzo – p – dioxina (2,3,7,8 – TCDD dioxina de Seveso) o congênere mais tóxico.

 

Fóruma geral de uma Dioxina

2,3,7,8 – TCDD

“Dioxina de Seveso”

Este tipo de substância não é produzida comercialmente e sim gerada como subproduto de uma gama de processos, incluindo o clareamento da polpa de celulose, a incineração de lixo e resíduos hospitalares, a reciclagem de matais e produção de solventes como os tri e per-cloroeteno. Estão entre as mais cancerígenas conhecidas, representando um risco muito grande à saúde e ao meio ambiente. Por isso, esses elementos estão listados na Convenção de Estocolomo sobre Poluentes Orgânicos Persistentes, e precisam ser medidos, monitorados e reduzidos drasticamente para eliminar os riscos à população.

Porém, a maior fonte de dioxinas no meio ambiente é a incineração de resíduos (lixo), ou seja, queima de matéria orgânica em presença de compostos clorados.

Cuidado: seu cigarro também libera dioxinas

A propriedade físico-química mais importante relacionada com as dioxinas é a sua baixa solubilidade em água (apolares) e assim sendo, a via principal de transporte deste poluente é o ar, sendo encontrado como contaminante de material particulado fino e ultra-fino.

Outra característica importante relacionada à baixa solubilidade em água é a habilidade de bioacumulação ao longo de cadeias tróficas devido à sua lipossolubilidade e interação com matéria orgânica, causando alterações no sistema endócrino dos organismos.

Fontes comuns de dioxinas:

Papel e Celulose: o processo de branqueamento de papel e celulose que utiliza cloro elementar (Cl2) é uma fonte de dioxinas, devido a reação deste elemento com compostos orgânicos provenientes da lignina. O branqueamento é necessário para eliminar a cor escura da polpa resultante da absorção da luz pela lignina.

Em 2001 os EUA baniram este tipo de processo com substituição de cloro por outro agente de branqueamento – ClO2.

Incineração e Queimadas: queimadas de muitos tipos, incluindo aquelas em florestas e incineradores, liberam para atmosfera vários congêneres da família das dioxinas. A produção de dioxinas parece pouco inevitável quando ocorre a combustão de matéria orgânica em presença de cloro.

Fontes

Baird, Colin – Environmental Chemistry;

Pereira, Marcia de Souza – POLYCHLORINATED DIBENZO-P-DIOXINS (PCDD), DIBENZOFURANS (PCDF) AND POLYCHLORINATED BIPHENYLS (PCB): MAIN SOURCES, ENVIRONMENTAL BEHAVIOUR AND RISK TO MAN AND BIOTA, Quim. Nova Vol. 27, No. 6, 934-943, 2004

Portal das Dioxinas e Furanos – http://www.upan.org.br/dioxinas/index.htm

, , ,

2 Comentários

Chumbo – Contaminação

Nesta semana os meios de comunicações divulgaram mais um caso de contaminação por chumbo, desta vez na China, onde pelo menos 200 crianças apresentaram níveis elevados deste elemento no organismo. O evento é decorrente da contaminação ambiental numa região onde se encontram duas usinas de baterias, na província de Anhui.

Segundo o Environmental Health Criteria:

Chumbo (Pb) é um metal macio de cor cinza prateado, cujo ponto de fusão é de 327,5°C. É altamente resistente à corrosão, sendo solúvel em ácido nítrico e ácido sulfúrico a quente. Em compostos inorgânicos de chumbo o estado de valência usual é +2. A solubilidade em água varia, sendo pouco solúveis os óxidos e sulfetos e relativamente solúveis em água fria os nitratos, cloratos e sais de cloreto.

Os métodos comuns de análise para chumbo são:

  • Chamas;
  • Fornos de grafite;
  • Plasma acoplado indutivamente;
  • Espectroscopia de absorção atômica;
  • Voltametria;

Fontes de contaminação humana:

Os níveis de chumbo na crosta terrestre estão entre 20 mg.kg-1 (20ppm). No meio ambiente, o chumbo pode ser derivado tanto de fontes naturais quanto antropogênicas. As fontes naturais de Pb na atmosfera são decorrentes do intemperismo geológico e das emissões vulcânicas, sendo estimadas em 19 000 toneladas/ ano.

O chumbo pode entrar no meio ambiente em qualquer ponto durante a mineração, fundição, processamento, usos, reciclagem e descarte. Sua utilização é vasta sendo encontrado em baterias, cabos, pigmentos, aditivos de gasolina, soldas e produtos de aço. *Muitos dos usos descritos anteriormente foram proibidos, como p.ex., os aditivos da gasolina.

Efeitos em humanos:

Em humanos, chumbo pode causar vários efeitos biológicos dependendo do nível e duração da exposição.

Segundo o LCT da UFRJ, temos:

Para fins de diagnóstico da intoxicação por chumbo, deve-se ter em mente que este metal age em alguns órgãos-alvo que determinam os sinais e sintomas típicos da intoxicação: cérebro, rins, sistema hematopoiético, sistema nervoso periférico.

Em exposições tanto agudas quanto crônicas, em concentrações baixas ou moderadas, o órgão crítico alvo é o cérebro, promovendo sinais e sintomas de encefalopatia de maior e menor grau, dependendo da intensidade e duração da exposição, tais como, cefaléia, perda de memória, perda da concentração e atenção em tarefas corriqueiras, alterações de humor, com irritabilidade, depressão, insônia (ou sonolência).

sses sintomas podem progredir para piora na intensidade, até surgimento de sinais característicos de encefalopatia com alterações neurológicas visíveis ao exame físico, como distúrbios de comportamento mais graves (paranóia, delírios e alucinações), alterações da marcha e do equilíbrio (denotando já um comprometimento de cerebelo), agitação psicomotora e, em situações de exposição a altas concentrações, alterações de consciência como obnubilação, estupor e coma, precedidos, em alguns casos, de convulsões. A seqüência de sintomas e sinais decorrentes da ação do metal sobre o sistema nervoso central deve ser vista como possibilidades de ocorrência dependendo sempre da duração da exposição e da concentração de chumbo no ambiente. Em crianças, pode-se verificar a ocorrência dos mesmos sinais e sintomas, sendo que os sinais mais intensos estão quase sempre relacionados à exposição por via digestiva (ingestão de solo contaminado, ou flocos de tinta de construções ou brinquedos deteriorados, com teores altos de chumbo, como nos EUA).

Todos esses sinais e sintomas de encefalopatia são inespecíficos e nenhum deles isoladamente, ou mesmo a soma deles, pode ser considerado como patognomônico da intoxicação por chumbo inorgânico. A suspeita de que esse quadro clínico possa estar relacionado à intoxicação por chumbo surge com o conhecimento de que o paciente, adulto ou criança, tem algum tipo de exposição ao metal. A confirmação do diagnóstico se dá pela presença de outros sintomas, como cólica abdominal, sintomas gerais de fraqueza, fadiga, mialgia generalizada (ou mais localizada nas panturrilhas), inapetência, queixas gástricas, perda da libido, associados a alterações em alguns parâmetros hematológicos como diminuição nos níveis de hematócrito e hemoglobina, e presença de pontilhado basófilo nas hemácias.

A confirmação definitiva do diagnóstico se dá pela dosagem de algum parâmetro de dose interna, como chumbo no sangue (plumbemia) ou na urina (plumbúria), ou algum parâmetro de efeito do chumbo na cadeia de formação da hemoglobina, como aumento de ácido deltaminolevulínico na urina (ALA-U), aumento da dosagem de coproporfobilinogênio na urina (CPU), aumento de protoporfirina IX, dosada na forma livre (EP) ou na forma zincada (ZPP), e diminuição na atividade do ácido deltaminolevulínico desidratase (ALA-D).

 

, , ,

Deixe um comentário

Resolução UNESP 2011 Segunda Fase – QUÍMICA -

Fiz a resolução  da segunda fase de química da UNESP (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho) 2011 que ocorreu hoje dia 19 de dezembro de 2011.

Esta prova era composta por 3 questões de química. De uma forma geral, acredito que os alunos não tiveram muita dificuldade em resolvê-las, pois as questões traziam textos curtos, que não são muito comuns na química, com perguntas bem objetivas.

Confira abaixo!

Questão 16

Um paciente infectado com vírus de um tipo de herpes toma, a cada 12 horas, 1 comprimido de um medicamento que contém   125 mg do componente ativo penciclovir.

Dados: Massa molar (g.mol–1): H = 1;  C = 12;  N = 14;  O = 16.

Constante de Avogadro: N = 6,02 × 1023 mol–1

Dê a fórmula molecular e a massa molar do penciclovir e calcule o número de moléculas desse componente que o paciente ingere por dia.

RESOLUÇÃO

Penciclovir:

Fórmula Molecular: C10H15N5O3

Massa Molar: 253 g.mol-1

Sabendo que um paciente toma dois comprimidos por dia, ou seja, um comprimido a cada 12 horas, e que cada comprimido possui 125mg (125 x 10-3g) do princípio ativo, temos:

Comentário: Questão fácil – média. O candidato deveria estar muito atento no momento de verificar qual a fórmula molecular do composto pois é muito fácil esquecer de contar um hidrogênio, um carbono ou qualquer outro elemento. Outra coisa a ser lembrada é em relação à dose ingerida por dia pois o texto trata da administração do comprimido a cada 12 horas.

Questão 17

O folheto de um óleo para o corpo informa que o produto é preparado com óleo vegetal de cultivo orgânico e óleos essenciais naturais. O estudo da composição química do óleo vegetal utilizado na fabricação desse produto permitiu identificar um éster do ácido cis,cis-9,12 ctadecadienoico como um de seus principais componentes. Escreva a fórmula estrutural completa do ácido cis,cis-9,12-octadecadienoico e indique como essa substância pode ser obtida a partir do óleo vegetal.

RESOLUÇÃO

O ácido cis,cis-9,12-octadecadienoico também é conhecido como ácido linoleico conjugado sido utilizado como suplemento alimentar em função dos seus possível efeitos de emagrecimento e aumento de massa magra (músculos)

Sua fórmula estrutural é:

A  substância (ácido) pode ser obtida pela hidrólise do óleo vegetal, ou seja, a hirólise de um éster leva à produção de um ácido e de um álcool.

O ácido linoleico é um ácido graxo n-6 insaturado. É um liquido incolor em temperatura ambiente. Na nomenclatura da bioquímica é chamado de 18:2(n-6). Quimicamente, o ácido linoleico é um ácido carboxílico com 18 carbonos em sua cadeia e duas ligações duplas na configuração cis; a primeira dupla ligação está localizada no sexto carbono contando pelo final da cadeia.

Ácido linoleico é um de dois ácidos graxos essenciais que animais e humanos devem ingerir para uma boa saúde, pois o organismo necessita dele para vários processos biológicos, mas não pode sintetizar a partir de outros componentes da alimentação.

Questão 18

A quantidade de oxigênio dissolvido em um reservatório com 10 000 L de água foi determinada pela dosagem do hidróxido de manganês III, formado segundo a reação descrita pela equação:

xMn(OH)2(aq) + yO2(aq) + wH2O(aq) → zMn(OH)3(s)

Conhecidas as massas molares (g.mol–1) do Mn(OH)3 = 106 e do O = 32, e sabendo que o tratamento de 1 L dessa água com excesso de Mn(OH)2(aq) produziu 0,103 g de Mn(OH)3, determine os coeficientes da equação e calcule a massa total, em gramas, de O2 dissolvido no reservatório de água.

RESOLUÇÃO

Pelo método das “tentativas e erros” , temos a seguinte equação devidamente balanceada. Vale lembrar que também poderíamos ter feito por oxirredução.

2 Mn(OH)2(aq) +  ½ O2(aq)1 H2O(aq)2 Mn(OH)3(s)

Se a cada ½ mol de oxigênio dissolvido são produzidos 2 mols de Mn(OH)3, temos:Pelo enunciado temos um volume de 10000 L de água e sendo assim aproximadamente 78 g de oxigênio dissolvido.

 

, , ,

Deixe um comentário

FUVEST 2011

FUVEST 2011

Mais um ano acabou! Como assim acabou se falta quase um mês?

Para quem esperou o ano inteiro pela prova da FUVEST, o maior vestibular do Brasil, o ano acabou no final de semana passado, mais precisamente para 132 993 inscritos. Meses e mais meses de preparação e sofrimento nas salas dos cursinhos, local onde “menino chora e mãe não vê”. Muitos alunos reclamaram da prova deste ano achando que o nível de dificuldade foi maior em relação aos anos anteriores, principalmente para aqueles que prestaram em 2010. A expectativa, dizem os “especialistas”, é que a nota de corte caia um ou dois pontos. Isso é bem fácil de se prever, olha só: quando todos dizem que a prova foi difícil, como neste ano, nós dissemos que o corte irá cair em precisamente um ou dois pontos. Se a prova foi considera fácil, então teremos aumento no corte de um ou dois pontos.

Na verdade a FUVEST é bem previsível, assim como foi a prova de química deste ano muito parecida ao do ano anterior. Sorte (ou não!) dos alunos que assistiram à resolução que fizemos no Anglo SBC e SA. Então vamos aos comentário da prova:

Questão 1 – Falava sobre uma substância (sólido branco) e trazia suas características físico-químicas. O candidato deveria analisá-las com cuidado e descartar as opções de respostas absurdas. Por exemplo: dizia ser o sólido solúvel em água, sendo assim PLATINA não era uma opção. Já imaginou um pino de platina dissolvendo-se em seu organismo? Polietileno – um polímero – não forma uma solução aquosa, nem mesmo conduz a corrente elétrica. Enfim, observando as informações chegaríamos ao ácido cis-butenodióico que atendia a todas afirmações.

Questão 2 – Esta questão tratava de soluções bem como do valor final do pH após fazer adições de ácido clorídrico (100 mL, 1,0 mol.L-1). Ela pedia para assinalar aquela onde haveria aumento no valor do pH após a adição. Aumentar o valor do pH é o mesmo que falar em diminuir a concentração dos íons H+. E não é que a FUVEST trouxe o mesmo conceito do ano passado? Bom, resolvendo a questão, temos diminuição na concentração de H+ quando se adiciona HCl em HNO3 o que poderia levar o candidato ao erro se não fizesse o cálculo da concentração. Lembrando que os volumes aqui são aditivos!

Questão 3 – Trazia uma figura de um modelo de estrutura. Aqui a questão requeria do candidato habilidade de observar e traduzir o modelo para seus conhecimentos da química. A resposta era a sílica (SiO2)n uma substância composta por dois elementos diferentes como era mostrado na figura.

Questão 4 – Uma questão sobre equilíbrio químico. Mais precisamente sobre o particionamento de um composto apolar (I2) de uma fazer aquosa polar para uma fase orgânica apolar. Procedimento muito utilizado nos laboratórios de orgânica experimental para justamente separar um composto de interesse, geralmente apolar e que se encontra na fase aquosa, para uma fase apolar, onde existe maior afinidade. Pelo valor da constante dada (Kc = 100) ficava claro que o equilíbrio estava deslocado no sentido dos produtos, ou seja, iodo em tetracloreto de carbono e assim chegaríamos na resposta correta que dizia que mesmo sem agitação haveria a passagem do iodo para o CCl4.

Questão 5 – O odor de combustível no ato do abastecimento – Teoria cinética dos gases.

Aqui o candidato deveria lembrar que mesmo uma reação muito exotérmica e espontânea necessita de um mínimo de energia para ser iniciada – a energia de ativação. Mesmo os gases estando em equilíbrio uma faísca é necessário para que a combustão ocorra.

Questão 6 – Radioatividade e meia-vida. Questão sobre a datação objetos via carbono – 14.

Lembrando que meia-vida é o tempo necessário para que metade da massa de uma amostra decaia à metade. A atenção deveria ser redobrada pois o texto informava que um objeto fora achado, mas não disse quando. Sendo assim, o candidato deveria assumir que o ano era justamente 2010.

900 → 450 → 225 duas meias-vidas = 11 400 anos – 2010 = 9380 anos

 

Ainda falta o resto… logo mais!

Deixe um comentário

O PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO

Como este ano uma das matérias do final do curso de química ambiental na USP foi toxicologia, que diga-se de passagem é bem interessante e um tanto quanto preocupante, acabei lendo muita coisa sobre o assunto e também conhendo sobre agente químicos tóxicos, suas características, propriedades e distribuição nos mais variados produtos do dia-a-dia.

Uma questão interessante que conheci por acaso foi o “Princípio da precaução” que justamente fala sobre os perigos envolvendo substâncias químicas e a saúde de seres vivos, além de questões ambientais.

Olha só o texto retirado do Instituto Silent Spring:

 

The Precautionary Principle

The precautionary principle advocates common sense.

This principle states that evidence of harm, rather than definitive proof of harm, should prompt policy action.

The precautionary principle allows scientifically sound and ethical decisions to be made on environmental and public health problems. When scientific uncertainty is likely to persist, the principle emphasizes the need for research paradigms that contribute to “strength of the evidence” assessments of the plausibility of health effects.

In 1998, a group of scientists, environmental activists, lawyers, and scholars met together in Racine, Wisconsin, to hone the definition of the precautionary principle as a new approach to thinking about environmental regulations and the evaluation and control of toxic chemicals. The resulting Wingspread Consensus Statement on the Precautionary Principle states that “when an activity raises threats of harm to the environment or human health, precautionary measures should be taken even if some cause and effect relationships are not fully established scientifically.”

The precautionary principle holds that when significant risks to public health are suspected, efforts should be made to reduce those risks, when possible, even when scientific knowledge is inconclusive, and to seek alternatives. The principle critically shifts the burden of proof from the general public to the initiator of that public health or environmental risk. Instead of the public having to show they have been harmed, the initiator has to show that the activity, process, or chemical exposure is likely harmless.

Environmental research on health-related issues can contribute to the body of evidence used in these decisions. Exposure studies are especially critical for assessing plausibility (without exposure to a causal agent, there is no health effect). These studies are prerequisite to health studies and identify preventable exposures that could be reduced by precautionary policies, even in the absence of conclusive evidence of harm.

The precautionary principle, which originated in the environmental movement, has caught fire in the breast cancer movement, too. “For decades we have been engaged in an uncontrolled experiment with synthetic hormones and carcinogens in air, water, and everyday products,” says Dr. Julia Brody, executive director of Silent Spring Institute. “Whenever we have strong evidence that a harmful link exists, we must take steps to protect people’s health. We should not wait for science to provide definitive proof that such chemicals are contributing to the high rates of breast cancer and other diseases. Waiting, without action, can jeopardize our lives and those of future generations.”

http://www.silentspring.org

Deixe um comentário

ASTROBIOLOGIA

Continuando a com assunto da bactéria GFAJ-1 que tem caído na boca do povo por esses tempos, vamos falar sobre a tal da ASTROBIOLOGI.

Acredito que todos temos uma ideia do que é uma bactéria. Aquelas definições que nos eram passadas garganta abaixo no ensino médio: organismos unicelulares que não possuem núcleo organizado por um envoltório e assim chamados de procariontes. Possuem uma parede celular ao contrário das células animais e material genético único.

O que talvez seja “novo” é a questão da astrobiologia, pouco falada por essas terras tupininquins. Sendo assim, trago um pequeno fragmento sobre o assunto retirado do site da NASA.

About Astrobiology

Astrobiology is the study of the origin, evolution, distribution, and future of life in the universe. This multidisciplinary field encompasses the search for habitable environments in our Solar System and habitable planets outside our Solar System, the search for evidence of prebiotic chemistry and life on Mars and other bodies in our Solar System, laboratory and field research into the origins and early evolution of life on Earth, and studies of the potential for life to adapt to challenges on Earth and in space.

http://astrobiology.nasa.gov/about-astrobiology/


Deixe um comentário

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.