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O café sem Ina!

Café  descafeinado pode proteger o organismo contra diabetes tipo 2

Bebida é capaz de ativar metabolismo cerebral que é deficiente em diabéticos e em pessoas com problemas cognitivos

Revista Veja – Notícias: Nutrição

Um novo estudo desenvolvido na Faculdade de Medicina de Mount Sinai, nos Estados Unidos, indica que o café descafeinado é capaz de melhorar o metabolismo cerebral associado ao diabetes tipo 2. Essa ação do cérebro, se reduzida, também pode provocar problemas cognitivos. A pesquisa foi publicada na edição de janeiro do periódico online Nutritional Neuroscience.

Os resultados mostraram que os ratos, ao receberam o café sem cafeína, foram capazes de metabolizar a glicose de maneira mais eficaz, utilizando-a como fonte de energia para o cérebro e evitando que ela se acumulasse no organismo, provocando, ou piorando, o quadro do diabetes. Esse processo de uso da glicose é reduzida em pessoas com diabetes tipo 2 e, além dessa doença,  pode acarretar diversos problemas cognitivos. “O metabolismo energético cerebral prejudicado está associado ao declínio cognitivo que ocorre com o envelhecimento do indivíduo e pode impulsionar o aparecimento de doenças neurodegenerativas mais sérias, como a Doença de Alzheimer”, diz Giulio Maria Pasinetti, coordenador do estudo.

A cafeína , assim como o quinino citado no post sobre malária – A Tônica da Maleita -,

Cafeína

 é um alcaloide de fórmula molecular C8H10N4O2. Uma característica geral dos alcaloides é que se apresenta, em sua forma isolada, como um pó branco e amargo ao paladar. Atua como um estimulante do sistema nervoso central em humanos, sendo uma das drogas psicoativas mais utilizadas no mundo… e por sorte esta é legal pois muita gente por aí é viciado nela!

Acho que nem preciso comentar muito sobre os efeitos de uma bela xícara de café, não é mesmo? Todos sabem que ela dá aquele ânimo ao acordar e principalmente no meio da tarde quando já estamos com a bateria quase indo embora. Sem contar que o café em si é um ótimo atrativo social.

Mas não vá abusando da cafeína, pois ela pode tirar seu sono!

De acordo com o ministério da agricultura (http://www.agricultura.gov.br) o Brasil é o maior produtor mundial de café e o segundo país em consumo, sendo duas variedades de grãos as mais plantadas: Arábica e Conillon (Robusta). Minas Gerais lidera a posição de Estado produtor.

Bom, voltando ao assunto do café descafeinado.

Como é o processo de retirada da cafeína do café, hein?!

O processo de descafeinação é realizado com os grãos inteiros e ainda crus, ou seja, antes da torrefação, onde se utiliza um solvente que possui afinidade química com a cafeína (“semelhante dissolve semelhante”) e assim carrega-a para fora dos grãos. Os métodos existentes de descafeinação utilizam, em sua maioria, solventes orgânicos, principalmente o diclorometanoum halogenoalcano ou haloalcano – o mais utilizado no Brasil. Também temos o uso de clorofórmio (triclorometano), acetato de etila, álcool (etanol), acetona (propanona), água e o mais legal de todos: o CO2 supercrítico.

Segundo o professor Reinaldo Bazito – que foi meu professor na USP, diga-se de passagem, os fluidos supercríticos são:

Qualquer substância que foi pressurizada e aquecida acima de sua pressão e temperatura críticas(Ponto Crítico), passando a ter propriedades intermediárias entre um gás e um líquido. Eles difundem como gases e dissolvem outros materiais como líquidos, por exemplo.

O gráfico abaixo mostra um diagrama de fases para o CO2, indicando a região em que ele se encontra no estado supercrítico (73,8 bar e 31,0oC).

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To regulando no açúcar!

Consumo de açúcar deve ser regulado, afirmam cientistas

Novo estudo indica que os efeitos danosos do açúcar no organismo são semelhantes aos promovidos pelo álcool; diabetes está entre as doenças que mais causam mortes

Em comentário publicado na edição desta quinta-feira, 2, da revista Nature, três cientistas da Universidade da Califórnia em San Francisco destacam outro responsável pela mudança na saúde pública mundial, além do cigarro e do álcool: o açúcar.

Os autores afirmam que os efeitos danosos do açúcar no organismo humano são semelhantes aos promovidos pelo álcool e que seu consumo também deveria ser regulado.

Estadão – Saúde: 02 de Fevereiro de 2012

Acho que não era tão necessário assim ter três cientistas e um artigo na Nature para saber que o açúcar – em excesso – não é lá muito bom para saúde, não! Se bem que qualquer coisa em excesso não é um bom negócio, não é mesmo?

Nosso organismo, assim como carro, necessita diariamente de certa quantidade de energia. Esta é provida em grande parte pelos carboidratos (também conhecidos como sacarídeos – do Grego: sakcharon, açúcar), uma classe de compostos orgânicos. É interessante notar que todos os carboidratos ou hidratos de carbono possuem entre si uma semelhança que é a molécula de glicose. Nosso metabolismo, ou melhor, o conjunto de reações químicas que ocorrem no organismo, quebram os carboidratos resultando em glicose – um monossacarídeo, uma molécula de açúcar simples – que percorre nosso corpo através do sangue, provendo assim energia para todas as células.

Duas moléculas de açúcar simples podem se ligar entre si formando uma “molécula dupla”.

O terrível açúcar de mesa que adoça nossa vida, nada mais é que uma dessas moléculas duplas formadas por uma molécula de glicose mais uma de frutose, sendo também chamada de dissacarídeo.

Sacarose

Outros dissacarídeos importantes são a lactose (glicose + galactose) açúcar encontrado no leite e maltose (glicose + glicose), também conhecido como açúcar do malte.

Bom, voltando ao temido açúcar de mesa que é tão ou mais prejudicial que o álcool ou o tabaco, aqui no Brasil ele é fabricado a partir do caldo de cana-de-açúcar. Já na Europa o açúcar é feito de beterrabas por um processo bem semelhante ao da cana. O problema é que dizem que a caipirinha feita com açúcar de beterraba não fica tão legal, não… mesmo com uma boa cachaça mineira!

E esse tal de açúcar invertido, o que é que ele é?

Quando se faz passar uma luz especial (luz plano polarizada) por uma solução de sacarose, percebe-se que esta tem a capacidade de rotacionar, mudar, a direção da propagação do plano da luz no sentido horário. Quando a água quebra a molécula do dissacarídeo num processo que chamamos carinhosamente de hidrólise com o auxílio de enzimas – as invertases –, a solução resultante rotaciona esta mesma luz especial no sentido contrário, ou seja, anti-horário. É por isso que chamamos o açúcar de invertido, pois agora ele inverte a rotação “original” da luz!

E o que tem de tão especial nesse açúcar?

Ele é mais doce que o próprio açúcar!

Pois é… mais doce ainda pois agora temos a presença de frutose livre na mistura. A frutose é mais doce em relação à sacarose cerca de 33% (!) sendo encontrada em muitos alimentos industrializados.

Mas não se preocupe, pois a frutose libera as mesmas 4 kcal (quilocalorias) por grama que a sacarose.

Segue um video sobre sacarose:

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Um porre de Cegueira!

Britânica perde parte da visão após beber vodca falsificada

Depois de beber um terço da garrafa, estudante passou dois dias sem conseguir sair da cama.

01 de fevereiro de 2012 | 11h 33

Uma estudante britânica de 21 anos alega que perdeu parte da visão depois de beber vodca falsificada.

Lauren Platts, de Sheffield, comprou em novembro uma garrafa de vodca de uma pequena loja de bebidas da cidade por quase seis libras (pouco mais de R$ 16) e contou à BBC que o vendedor na loja disse, em tom de piada, que a bebida “vai cegar você”.

A estudante conta que, na ocasião, riu do vendedor, mas, depois de descobrir que o que havia na garrafa não era vodca, acredita que poderia ter realmente ficado cega.

“Tive uma enxaqueca horrível, estava extremamente doente e com a visão desfocada. Não parava de vomitar, via manchas pretas. No segundo dia, me perguntei se algum dia eu iria melhorar”, contou Platts à BBC.

Dois meses depois, a estudante ainda tem a visão borrada e, com frequência, perde a visão periférica.

Estadão – Notícias: 01/ Fevereiro/ 2012

Pois é, parece que mais uma vez o barato saiu bem caro!

Aqui no Brasil esse problema também já aconteceu. Dê uma olhada nesse link com reportagem da revista Veja de 1997: Marvada pinga.

O causador desse problemão todo é uma molécula bem pequena: o metanol, CH3OH, com apenas 32 gramas a cada um mol de moléculas. E olha só o que ela pode fazer:

  • Dores de Cabeça e Nâusea;
  • Toxidez Ocular;
  • Visão borrada e fotofobia;

    Metanol

  • Cegueira;
  • Morte!

Apenas 4-10 mL de metanol já pode causar danos permanentes em adultos.

De 300 a 1000 mg/ kg já é considerado letal!

O metanol, também conhecido como álcool metílico, é um líquido incolor com cheiro característico de álcool, muito parecido com o etanol. Possui ponto de fusão de – 98°C e ponto de ebulição de 65°C, sendo sua densidade de 0.7918 g/ mL. É utilizado principalmente como solvente em laboratórios químicos e também na obtenção do formol (aldeído fórmico ou metanal) pelo processo de oxidação.
Foi isolado pela primeira vez em 1664 por Robert Boyle através da destilação seca da madeira do buxinho (Buxus sempervirens) recebendo em seguida o nome de espírito da madeira.
Industrialmente o metanol é obtido a partir do gás de síntese, uma mistura gasosa de monóxido de carbono e hidrogênio (CO + H2), através de aquecimento sob pressão em presença de catalisador.

Bom, da próxima vez que for entrar num “duelo”, pense bem e veja se vale os olhos beber por tão pouco.

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Uhn, que gosto azedo… E que cheiro!

Bom, continuando o nosso estudo sobre ácidos, hoje vamos ver um pouquinho sobre os Ácidos carboxílicos.

Estes compostos são praticamente onipresentes nos vestibulares, então é bom ficar de olho!

Bora lá, galera…

Vinagre - Solução Aquosa de Acido Acético (4 a 6%)

De onde vem o cheiro forte do vinagre? E o seu sabor azedo, de onde vem? Será que estão relacionados um ao outro?

As respotas para estas perguntas está na presença de um ácido contido no vinagre, conhecido como ácido acético (acetum – do latim – e vin aigre – do francês – significam “vinho azedo”).

O ácido acético é o nome usual do ácido etanóico, um composto pertencente a uma classe de compostos orgânicos conhecidos como ácidos carboxílicos. Essa classe de compostos é representada pela presença do grupo funcional carboxíla:

Carboxíla

A nomenclatura oficial dos ácidos carboxílicos, segundo a IUPAC, é formada pela palavra ácido seguida pelo nome do alcano modificado pela terminação –óico. Vamos a alguns exemplos:

 

Estes compostos são polares e de alto ponto de ebulição. Isto ocorre devido à presença de duas pontes ou ligações de hidrogênio entre as carboxílas nos estados sólido e líquido.

Pontes de Hidrogênio entre Carboxílas

Os ácidos de cadeia pequena (até quatro átomos de carbono) são solúveis em água, ou seja, em solventes polares, apresentando uma diminuição de solubilidade com o aumento da cadeia de carbonos.

Em relação ao odor daqueles que são voláteis, não são nada agradáveis. Vale lembrar o cheiro que tem o vinagre! A presença, por exemplo, do ácido butanoico (ácido butírico) na manteiga rançosa é a causa do cheiro característico, além de dar cheiro a muitos queijos.

Em 1991, o ácido 3-metil-2-hexenóico (ou 3-metil-hex-2-enóico) foi identificado como sendo o principal responsável pelo odor do suor humano, bem conhecido daqueles que se utilizam do transporte coletivo lá pelas seis horas da tarde. Eu sei que você sabe bem do que estou falando… só não sabia que era um ácido carboxílico, não é mesmo?

Ácido contido no suor humano

Ácido contido no suor humano

Os ácidos carboxílicos de cadeia longa, ou seja, cadeias superiores a 11 átomos de carbono, sem contar o carbono da carboxíla, formam uma classe importante destas ácidos e são chamados de ácidos graxos, cujo nome deriva de sua fonte, as gorduras naturais.

Ácido Palmítico

*Os nomes comuns – não usuais – dos ácidos carboxílicos foram dados para descrever alguma característica do composto ou sua fonte de origem.

Ácido fórmico (metanoico) – presente nas formigas vermelhas e isoladas através da destilação destrutivas das “bixinhas”com vapor d’água; também presente nas urticarias. É responsável pela sensação de ardência e coceira quando da picada de uma formiga.

Ácido acético (etanóico) – componente do vinagre (não é o vinagre em sí, hein?!) acetum = vinagre.

Ácido butírico (butanoico) – presente no ranço da manteiga – do inglês, butter.

Ácidos capróico (hexanóico) e caprílico (octanóico) – odor de cabra – do latim, caper.

Ácidos carboxílicos de ocorrência natural

Ácido Pirúvico (Ácido 2-oxopropiônico)

Ácido Pirúvico: Produto da metabolização da glicose

Ácido Láctico (2-hidróxipropanóico)

 Ácido Láctico: Responsável pela sensação de queimação nos músculos durante exercícios físicos intensos com déficit de oxigênio, sendo também encontrado no leite azedo.

Ácido Oxálico

 Ácido Oxálico: O famoso “azedinho” é encontrado em vegetais de folhas verdes e também no tomate; forma compostos pouco solúveis em presença de íons Ca2+, sendo esta uma das causas de pedras nos rins.

 Para os próximos posts, vamos ver como ocorre a síntese dos ácidos carboxílicos! Até lá…

… mas antes, segue um exercío da FUVEST 2011:

(Fuvest 2011)  Um sólido branco apresenta as seguintes propriedades:
I. É solúvel em água.
II. Sua solução aquosa é condutora de corrente elétrica.
III. Quando puro, o sólido não conduz corrente elétrica.
IV. Quando fundido, o líquido puro resultante não conduz corrente elétrica.

Considerando essas informações, o sólido em questão pode ser
a) sulfato de potássio.
b) hidróxido de bário.
c) platina.
d) ácido cis-butenodioico.
e) polietileno.

Vídeo-aulas de vestibular do portal G1, confiram!

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Uhn, mas que gosto azedo!

Teoria de Ácidos e Bases

 Antes de uma sistematização química do que eram substâncias ácidas e básicas, os químicos consideravam como sendo ácidos todas as substâncias que possuíssem saber azedo. Aliás, a palavra ácido vem do latim acidus, que justamente significa azedo. Alguns ácidos são bem familiares no nosso cotidiano, como por exemplo, o ácido cítrico que é encontrado no limão além de outras frutas cítricas; o ácido acético ou etanóico, componente do vinagre; e também o ácido clorídrico (HCl) encontrado no estômago e associado ao sabor azedo do vômito. Outras características destas substâncias são a de tornar vermelho o tornassol e reagir com certos metais com liberação de gás hidrogênio (H2)

Compostos que possuíam a capacidade de neutralizar um ácido, como as cinzas de madeira e outras plantas, eram chamadas de bases ou compostos alcalinos – cinza em Árabe é al kalai. Podemos falar também que as bases provocam uma sensação escorregadia quando em contato com as mãos, deixar o tornassol azul e ter um gosto adstringente.

Percebe-se que os métodos de saber se uma substância é ácida ou básica pelo sabor azedo ou pela sensação atribuída quando esfregada nas mãos não é nada seguro, podendo causar graves danos à saúde, ou seja, as definições fenomenológicas nestes casos não são válidas.

Arrhenius

Arrhenius

Foi em somente 1887 (perceba que são apenas 124 anos considerando 2011) que o químico e físico Sueco Svante August Arrhenius propôs que toda e qualquer substância que gerasse íons H+ em água era um ácido e que aquelas que gerassem íons OH em água, eram bases.

Ácidos – Segundo Arrhenius, Substâncias que geram H+ em água

Bases – Segundo Arrhenius, Substâncias que geram OH (hidroxila) em água

 

Mesmo sendo muito boa e resolvendo grande parte da nossa vida, a definição de Arrhenius se mostrou muito limitada uma vez que muita química acontece na total ausência de água.

Foi pensando nisso que em 1923, o químico dinamarquês Johannes Bronsted e o inglês Thomas M. Lowry, definiram de forma independente, que ácidos são substâncias que transferem prótons (H+) e bases são substâncias que recebem prótons.  A água pode ser o solvente, mas não há necessidade para esta definição.

Ácidos e Bases de Bronsted-Lowry

Bronsted-Lowry

Bronsted-Lowry

Ácidos: doadores de prótons, íons H+ / Bases: aceptores de prótons, íons H+

Bom, mas essa conversa de ácidos e bases ainda não terminou.

Uma terceira definição, agora muito mais generalista, foi cunhada pelo químico Gilbert N. Lewis, aquele mesmo que vocês adoram das estruturas eletrônicas, onde os elétrons são bolinhas!

Gilbert N. Lewis

Gilbert N. Lewis

Pois bem, Lewis defini um ácido como sendo um composto que pode aceitar um par de elétrons e uma base com doadora de pares de elétrons.

 

Para registrar um exercício provando que isso vem sendo cobrado nos vestibulares, segue uma questão da UNESP 2011 vestibular de inverno:

(UNESP 2011) A sibutramina, cuja estrutura está representada, é um fármaco indicado para o tratamento da obesidade e seu uso deve estar associado a uma dieta e exercícios físicos.

Sibutramina

(A) é uma base de Lewis, porque possui um átomo de nitrogênio que pode doar um par de elétrons para ácidos.

(B) é um ácido de Brönsted-Lowry, porque possui um átomo de nitrogênio terciário.

(C) é um ácido de Lewis, porque possui um átomo de nitrogênio capaz de receber um par de elétrons de um ácido.

(D) é um ácido de Arrhenius, porque possui um átomo de nitrogênio capaz de doar próton.

(E) é uma base de Lewis, porque possui um átomo de nitrogênio que pode receber um par de elétrons de um ácido.

Confira abaixo uma Vídeo-aula resumindo as definições de ácidos e bases

Confira também ácidez e basicidade: https://igorsuga.wordpress.com/2011/11/09/197/

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pH? Nunca vi, nem comi eu não sei calcular!

Empresa inicia recall de Toddynho no Rio Grande do Sul

Manchete da Revista Época: Saúde – 06/10/2011

Você com certeza se lembra desta notícia, não é mesmo? Como é que pode o leitinho achocolatado onipresente na infância de qualquer um de nós, causando irritação e queimaduras em 39 crianças no Rio Grande do Sul?

Pelas notícias que circularam, houve erro em alguns lotes da bebida (L4 32 05:30 a L4 32 06:30), que foram envazadas após a limpeza e higienização dos equipamentos, sendo as caixinhas contaminadas com o líquido a base de água e detergentes.

Análises feitas pelo Laboratório Central do Rio Grande do Sul informam que a bebida possuía um pH de 13,3 – o que é sem dúvidas impróprio ao consumo humano.

Mas o que é esse tal de pH? Nunca vi, nem comi eu não sei calcular!

O pH (potencial hidrogeniônico) é basicamente uma escala que se inicia no zero e termina no quatorze, passando pelo ponto médio, ou seja, sete.

Sendo assim, temos três regiões importantes na escala de pH:

Escala de pH

Alguns exemplos do cotidiano:

Leite de Magnésia (Suspensão de hidróxido de magnésio): pH = 10,5

Água Pura a 25°C (Químicos Dizem: água destilada): pH = 7,00

Vinagre (Solução aquosa e diluída de ácido acético): pH = 3,00

Conhecendo o valor do pH fica cômodo saber qual o seu caráter – Ácido, Básico ou Neutro – levando-se em consideração a escala dada acima. Mas como faz para calcular estes valores?

Bom, o valor do pH de uma solução é calculado a partir da concentração, em mol/L, dos íons H+ (ou H3O+, chamado de íon hidrônio ou hidroxônio) pela seguinte fórmula:

pH = – log [H+]

Também podemos utilizar a seguinte fórmula para o cálculo do pH, não muito usual de acordo com os livros e manuais de química, mas útil dependendo dos valores dados:

pH = log 1/[H+]

Vamos a um exemplo:

A concentração dos íons H+ em uma solução de um ácido monoprótico é de [H+] = 1 x 10-2 mol/L. Calcule o valor do pH nestas condições.

Sendo o pH calculado por:          pH = – log [H+],                  temos:

pH = – log (10-2)                Dando o “tombo” no expoente

pH = – (-2) log 10              O log de dez na base dez é igual um (1), chegamos assim em

pH = 2,00

Vale lembrar que a água pura (água destilada, para os químicos) tem pH igual a 7, ou seja, neutra, na temperatura de 25°C. Mas como pode ser isso?

A 25°C a água pura sofre o que chamamos de auto-ionização:

2 H2O(l)  H3O+(aq) + OH(aq)

Ou

H2O(l)  H+(aq)+ OH(aq)

E nestas condições as concentrações dos íons H+ e OH são iguais a 1,0 x 10-7 mol/L. Calculando o pH com este valor de concentração temos um pH = 7,00.

Mas eu sei que também existem soluções básicas… como faço para calcular o pH destas soluções uma vez que elas não liberam H+ e sim OH?

Para soluções básicas podemos calcular o pOH a partir da concentração hidroxiliônica, ou seja, a concentração em mol/L dos íons OH e depois calcular o pH sabendo que:

pOH = – log [OH]

ou ainda,

pOH = log 1/[OH]

e sabendo que

pH + pOH = 14

Por exemplo, uma solução neutra a 25°C tem concentração hidroxiliônica de [OH] = 10-7 mol/L e assim sendo o seu pOH é igual 7,00 e consequentemente o pH também é igual a 7,00.

Resumindo:

Soluções Ácidas apresentam [H+] > 10-7 mol/L                  p.ex.: 10-6 mol/L

Soluções Neutras apresentam [H+] = [OH] = 10-7 mol/L

Soluções Básicas apresentam [H+] < 10-7 mol/L                 p.ex.: 10-8 mol/L

Exercício para quebrar a cabeça

– UFF 2012, Segunda Fase

A um litro de água destilada se adiciona 0,100 g de NaOH. Determinar o pH da solução resultante , supondo
que não ocorra variação de volume e que Kw = 1,0 x 10-14 .

Saiba mais sobre ácidos e bases: https://igorsuga.wordpress.com/2011/12/29/uhn-mas-que-gosto-azedo/

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Companheiro, cisplatina!

Ex-presidente Lula começa tratamento contra o câncer

Nesta segunda, Luiz Inácio Lula da Silva faz a primeira sessão de quimioterapia para tratamento contra tumor na laringe

Notícia O Estado de São Paulo, 31 de outubro de 2011 – Política

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi diagnosticado com câncer[1] na laringe no dia 29/10/2011. O tumor tem cerca de três centímetros e está localizado na laringe, acima da epiglote. Segundo a equipe médica, as chances de cura para o ex-presidente estão acima de 75%.

Segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncerhttp://www.inca.gov.br), o câncer de laringe é um dos mais comuns a atingir a região da cabeça e pescoço, representando cerca de 25% dos tumores malignos que acometem esta área e 2% de todas as doenças malignas. Aproximadamente 2/3 desses tumores surgem na corda vocal verdadeira e 1/3 acomete a laringe supraglótica (ou seja, localizam-se acima das cordas vocais).

Lula passará por quimioterapia, método que utiliza compostos químicos (Químicos dizem: quimioterápicos), que quando aplicada ao câncer é chamada de quimioterapia antineoplásica.

Um dos compostos utilizados é a cisplatina.

A cisplatina é um complexo metálico, cujo nome oficial é cis-diaminodicloroplatina (II) de fórmula molecular cis[Pt(NH­3)2Cl2]. Esse complexo foi primeiramente descrito por Reiset em 1844 e, um ano após, Peyrone descreveu um outro composto com a mesma fórmula molecular, sendo que apenas em 1893 Werner propôs serem os dois compostos isômeros: o complexo de Peyrone correspondia ao isômero cis (Figura 1) e o de Reiset à forma trans (Figura 2).

Isômeros[2] Cis-Trans, também conhecidos como isômeros geométricos, são comumente alvos de estudo da química orgânica, mas o conceito também se aplica aos compostos de coordenação (íon metálico ao qual se ligam átomos ou grupos de átomos).  Moléculas orgânicas que possuem duplas ligações (Químicos dizem: insaturações) podem apresentar isomeria geométrica ou cis-trans, uma vez que estas ligações duplas lhes conferem um plano, dividindo-as em duas regiões distintas no espaço. Quando os substituintes de maior massa molecular encontram-se do mesmo lado, estamos diante de um composto na configuração Cis. Quando estes mesmos substituintes estão de lados opostos da molécula, temos a configuração Trans. De uma forma simplificada podemos observar apenas a posição dos átomos de hidrogênio na molécula; quando estes estão do mesmo lado, cis – e de lados opostos, trans.

                Bom, voltando à Cisplatina, vamos entender rapidamente como age o medicamento.

Entende-se que o composto tem como alvo principal o DNA, formando ligações em suas fitas. Vale lembrar que o DNA é uma macromolécula de fita dupla (modelo dupla-hélice). Essa ligação impede que molécula de DNA se abra para o início do processo de replicação, ou seja, ela impede a habilidade de formar novas fitas de DNA que é imprescindível para divisão celular. Se a célula não se divida, não há formação de novas células e assim impede-se o crescimento das células cancerígenas.

Para maiores informações sobre os tratamento quimioterápicos, acesse:

http://www.inca.gov.br/conteudo_view.asp?ID=101

Para saber sobre o descobrimento da cisplatina como uma droga antitumoral, acesse:

http://www.chemcases.com/cisplat/

1] Do latim cancer – carangueijo. Os vasos do tumor ao se infintrarem no corpo sadio se assemelham com as patas do crustáceo.

[2] Isômeros são compostos que possuem a mesma fórmula molecular e estruturas diferentes.

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